World of Warcraft 2 existe? Não, e a Blizzard acabou de explicar o motivo
Quem procura por 'World of Warcraft 2' esperando um anúncio de sequência vai se decepcionar. Na BlizzCon 2026 a resposta veio direto da equipe do jogo, e ela é mais lógica do que parece.
João Gabriel Trevizane

Todo mês tem gente digitando 'World of Warcraft 2' no Google torcendo pra existir um anúncio escondido em algum canto. Não existe, e agora a Blizzard finalmente disse com todas as letras por que não pretende fazer isso, numa fala que saiu direto do painel de revelação de World of Warcraft: Forever na BlizzCon 2026, em setembro.
Quem deu a resposta foi Kris Zierhut, designer principal de Forever. A lógica dele é simples: por que jogar fora um motor gráfico e uma infraestrutura de servidor que foram refinados ao longo de 25 anos seguidos pra começar tudo de novo do zero? Segundo ele, esse motor e essa estrutura de servidores estão num nível que poucos concorrentes conseguem igualar hoje, e reconstruir isso do absoluto zero jogaria fora décadas de otimização silenciosa que o jogador nem percebe, mas sente na estabilidade do jogo.
No lugar da sequência, a aposta é justamente World of Warcraft: Forever, anunciada como uma terceira versão permanente do jogo ao lado do WoW retail e do Classic, não como substituta de nenhum dos dois. Ela usa o Azeroth original como base, mas empilha conteúdo novo por cima: três zonas inéditas, mais de mil quests, nove masmorras, duas raids e uma raça jogável nova chamada Skyborne, mantendo o level cap em 60. A beta já está rodando desde 17 de setembro e vai até 21 de outubro, com lançamento completo marcado pra 4 de novembro, incluído em qualquer assinatura ativa do jogo.
Faz sentido do ponto de vista técnico. Reconstruir um MMO com essa escala de personagens, itens e histórico de conta salvo é um projeto de risco gigantesco, e não é raro ver jogos ao vivo morrerem justamente na tentativa de migrar de motor. Mas dá pra ler a decisão por outro ângulo também: continuar em cima da base atual evita que a Blizzard tenha que competir com o próprio jogo, e também poupa a empresa de meter a cara numa versão pra console com um motor mais moderno, coisa que geraria expectativa (e cobrança) muito maior do que um Classic Plus turbinado.
Na prática, pra quem sonhava com aquele WoW com gráficos de motor novo e suporte nativo a controle de console, a resposta é: esse sonho virou conteúdo incremental dentro de Forever, não um projeto do zero. É uma escolha comercialmente segura, mas também uma confissão meio direta de que reinventar a receita é mais assustador do que parece de fora.
No fim das contas, a Blizzard está seguindo o mesmo caminho que outros MMOs de sucesso adotaram há tempos, tipo Final Fantasy XIV, que prefere expansão sobre expansão a arriscar um recomeço. A diferença é que aqui a empresa criou uma terceira linha permanente rodando ao lado das outras duas, o que deixa o roadmap de WoW mais cheio do que nunca, só que sem o número '2' em lugar nenhum do nome.


