PIF avalia fundir EA com a Savvy Games só um mês depois de comprar a publisher
O fundo soberano saudita, dono da EA desde agosto, estuda unir a publisher à Savvy Games Group, criando uma gigante que juntaria Battlefield, The Sims e Apex Legends com Pokémon GO e Monopoly GO sob o mesmo teto.
João Gabriel Trevizane

Mal a poeira baixou da compra bilionária da EA, e já tem gente no comando falando em mexer tudo de novo. Segundo reportagem da Bloomberg publicada em 10 de setembro, executivos do Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita, estão discutindo internamente a possibilidade de fundir a Electronic Arts com a Savvy Games Group, outra empresa controlada pelo mesmo fundo.
Pra quem não acompanhou: o PIF fechou a aquisição da EA em 5 de agosto por cerca de 55 bilhões de dólares, em parceria com a Silver Lake e a Affinity Partners (a gestora ligada a Jared Kushner), tirando a publisher da bolsa. A ideia agora, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, é ter um único veículo saudita pra coordenar aquisições, desenvolvimento de jogos e exploração de propriedades intelectuais no setor, em vez de manter EA e Savvy como operações separadas.
O tamanho da coisa impressiona. De um lado está o catálogo da EA, com EA Sports FC, Battlefield, The Sims e Apex Legends. Do outro, a Savvy Games Group, dona da Scopely, responsável por sucessos mobile como Monopoly GO e Pokémon GO. Juntar isso tudo criaria uma das maiores operadoras de games do planeta, com pé forte tanto em consoles e PC quanto no mercado mobile, que é onde o dinheiro realmente circula hoje.
Só que não é pra já. O texto deixa claro que nenhuma decisão final foi tomada, e que a fusão dificilmente andaria antes da Savvy fechar a aquisição de 6 bilhões de dólares da Moonton, desenvolvedora chinesa por trás de jogos mobile de peso. Tanto a EA quanto o PIF preferiram não comentar o assunto quando procurados, o que é basicamente o padrão nesse tipo de negociação em estágio inicial.
Tem também a questão regulatória: um negócio desse porte tende a chamar atenção de reguladores antitruste em vários países, num processo que pode lembrar o imbróglio arrastado que a Microsoft enfrentou pra comprar a Activision Blizzard. E não é só isso que preocupa: a compra da EA já veio com 20 bilhões de dólares em dívida adicional embutida na operação, e rumores de corte de custos e fechamento de estúdios já rondavam a empresa antes mesmo dessa notícia da fusão vir à tona.
Na prática, pra quem joga FC, Battlefield ou qualquer coisa da Scopely, isso ainda não muda nada no curto prazo. Mas o movimento é sintomático de um momento estranho da indústria, onde dinheiro saudita compra publisher gigante, endivida ela pesado e meses depois já cogita reorganizar tudo de novo. O timing aqui chama atenção porque mostra que a estabilidade prometida quando uma empresa dessas fecha capital costuma durar bem pouco, e quem paga o pato historicamente são os funcionários, não os donos do fundo.


