Capcom quer transformar o RE Engine num motor com IA, mas faz ressalva importante
Na Capcom Open Conference RE: 2026, a empresa revelou o projeto REX, que promete levar IA ao RE Engine, mas garantiu que a tecnologia é só ferramenta de produtividade, não geração de arte.
João Gabriel Trevizane
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A Capcom acabou de dar um nome pro próximo passo do RE Engine, o motor que roda praticamente tudo que a empresa lança desde Resident Evil 7. Na Capcom Open Conference RE: 2026, o programador Satoshi Ishida apresentou o projeto REX e usou uma expressão que pegou mal rapidinho nas redes: motor de 'geração por IA'. A frase bastou pra espalhar a ideia de que a Capcom ia começar a cuspir jogos feitos por inteligência artificial, só que a história real é bem mais chata, no bom sentido, do que isso.
Na prática, REX não é um motor novo construído do zero. É uma evolução gradual do RE Engine que já existe, pensada pra resolver um problema bem concreto: os jogos da Capcom ficaram enormes. Assets e código cresceram absurdamente desde 2017, e cada atualização no motor custa mais tempo de equipe. A ideia do REX é usar IA pra acelerar tarefas de bastidor, tipo testar bugs jogando o jogo de forma autônoma, otimizar ferramentas de desenvolvimento e deixar o código mais fácil de ler tanto pra humano quanto pra sistemas de IA.
O detalhe que importa de verdade apareceu na correção que a própria Capcom fez horas depois da repercussão inicial, por meio de executivos como o VP Shinichi Inoue: a IA aqui não é pra criar arte, modelo 3D ou roteiro. É ferramenta de produtividade pra quem já trabalha lá, não substituto de artista ou designer. Ishida inclusive falou em 'criar jogos junto com a IA', o que é bem diferente de deixar a IA criar o jogo sozinha.
Pra quem joga, isso muda pouco por enquanto. Não tem data, não tem nenhum jogo anunciado usando REX, é só uma visão de futuro apresentada num evento interno. Mas o timing chama atenção porque a indústria inteira tá nessa fase de testar até onde pode empurrar o discurso de IA sem assustar o público, e a Capcom claramente aprendeu com a repercussão de outras empresas que tentaram vender 'IA generativa' sem explicar bem o que isso quer dizer. Minha visão aqui é simples: vou acreditar quando ver funcionando num jogo de verdade, com qualidade igual ou melhor do que o estúdio já entrega.
De qualquer forma, o histórico da Capcom com o RE Engine é sólido. O motor rodou desde survival horror até ação em terceira pessoa e RPG sem perder identidade visual, então dá pra dar um crédito de confiança. Só vale lembrar que 'eficiência' em desenvolvimento de jogo às vezes quer dizer prazo mais curto pra equipe, não necessariamente jogo melhor. É isso que vale observar de verdade quando o REX finalmente aparecer num lançamento de verdade.


