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EA fecha a BioWare depois de 30 anos e cancela o próximo Mass Effect

A estúdio criadora de Mass Effect e Dragon Age é encerrada pela EA, que também cancelou o novo jogo da franquia que estava em desenvolvimento inicial desde 2020.

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João Gabriel Trevizane

· Atualizado em

EA fecha a BioWare depois de 30 anos e cancela o próximo Mass Effect
Imagem ilustrativa gerada por IA

A EA confirmou nesta semana o fechamento da BioWare, incluindo o escritório de Edmonton, no Canadá, que era a última base física do estúdio. Junto com o encerramento vem outra baixa pesada: o novo Mass Effect, anunciado lá em 2020 e que ainda estava em fase inicial de produção, foi cancelado. Acabou mesmo, sem epílogo bonito.

O comunicado interno foi assinado por Cam Weber, presidente e chefe de estúdios da EA, e David Tinson, presidente e diretor de operações. Os dois falaram em focar recursos nas franquias que já dão retorno garantido: os jogos de esporte, Apex Legends, Battlefield, Star Wars Jedi e um novo título de Iron Man. A decisão faz parte de um corte de cerca de 400 vagas na empresa, perto de 3% do quadro total, e atinge por volta de 50 pessoas que ainda restavam na BioWare.

O timing não é coincidência. Tudo isso acontece pouco mais de dois meses depois de a EA concluir sua venda para um consórcio liderado pelo fundo soberano saudita PIF, negócio de US$ 55 bilhões que deixou a empresa com uma dívida gigante nas costas. Funcionários da BioWare já temiam esse desfecho desde que a aquisição foi anunciada, e agora o medo se confirmou.

A BioWare nasceu em 1995, fundada por Greg Zeschuk, Ray Muzyka e Augustine Yip, e construiu uma reputação que poucos estúdios de RPG chegaram perto de igualar. Mass Effect, de 2007, e Dragon Age: Origins, de 2009, viraram pilares do gênero e geraram sequências e spin-offs por quase duas décadas. Era o estúdio que fãs de RPG ocidental citavam como referência de narrativa com peso e escolhas que importavam.

O problema é que os últimos lançamentos não ajudaram a BioWare a se sustentar. Mass Effect: Andromeda decepcionou, Anthem (2019) tentou surfar na onda de jogo como serviço e vendeu só uns 5 milhões de cópias antes de ser abandonado, e Dragon Age: The Veilguard, de 2024, também ficou bem abaixo da meta comercial da EA. Depois de Dragon Age: Inquisition, em 2014, a casa começou a cobrar mais multiplayer e monetização contínua, e a BioWare nunca encontrou esse equilíbrio de volta.

Na prática, pra quem já tinha aceitado que esse novo Mass Effect talvez nem saísse tão cedo, a notícia ainda assim pesa diferente: não é só um atraso, é o fim da linha pro estúdio inteiro. O detalhe mais incômodo é que a EA reassegurou os fãs no ano passado que o projeto continuava de pé, e agora descobrimos que 'em desenvolvimento' durava só até a planilha de corte de custos bater na mesa.

Fica a lição de sempre nesse tipo de aquisição bilionária: quando o dono muda e a dívida aperta, até estúdio histórico com jogo clássico no currículo entra na lista de corte. A EA sai dessa com menos um pilar criativo e um buraco enorme no catálogo de RPG que vai levar anos pra alguém preencher, se preencher.

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