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Marvel's Wolverine corta casamento de Mystique em versões do Oriente Médio

Jogadores encontraram fotos borradas, cartas ilegíveis e falas cortadas sobre o casamento de Mystique com a esposa Tyger nas cópias do jogo vendidas em países do Oriente Médio.

JG

João Gabriel Trevizane

· Atualizado em

Marvel's Wolverine corta casamento de Mystique em versões do Oriente Médio

Marvel's Wolverine só saiu dia 15 de setembro e já rendeu uma polêmica que não tem nada a ver com garras ou combos. Jogadores no r/PlayWolverine começaram a reparar, por volta do dia 20, que a versão vendida em alguns países do Oriente Médio apaga boa parte do relacionamento entre Mystique e a esposa dela, Tyger. A foto do casamento das duas, que aparece como item colecionável, vem completamente borrada. Uma carta de amor trocada entre as personagens fica ilegível. E toda vez que alguém menciona a palavra "esposa" em relação a Mystique, o áudio simplesmente some no meio da fala, enquanto o som de fundo da cena continua tocando normalmente.

É esse detalhe do áudio de fundo que ficou intacto que denuncia o trabalho manual por trás da edição: não é uma versão diferente gravada do zero, é um corte cirúrgico feito depois que o jogo já estava pronto. Nas legendas, o mesmo tipo de censura aparece como asteriscos no lugar de palavras específicas, um recurso que qualquer jogador de outra região reconhece na hora como algo fora do padrão.

O jogo é feito pela Insomniac Games, o mesmo estúdio de Marvel's Spider-Man, em parceria com a Marvel Games e a Sony, e é exclusivo de PS5. E não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece com um título da casa: Marvel's Spider-Man 2 já tinha passado por um processo parecido, com bandeiras do orgulho removidas de cenas e uma missão envolvendo um casal gay adaptada pra sumir com qualquer referência ao relacionamento.

A explicação mais provável, e que ninguém da Sony ou da Insomniac confirmou oficialmente até agora, é puramente comercial: em vários países do Oriente Médio relações entre pessoas do mesmo sexo são ilegais, e em alguns casos até previstas com pena de morte. Lançar o jogo sem esses cortes provavelmente significaria não poder vender ele ali, então a saída encontrada foi editar o conteúdo pra manter o acesso ao mercado.

Do ponto de vista de quem joga fora dessas regiões, a notícia não muda uma vírgula na experiência. Mas ela expõe uma engrenagem que costuma ficar invisível: histórias e personagens que a gente enxerga como definitivos passam por versões silenciosamente diferentes dependendo de onde a cópia é vendida, e a decisão de qual parte da narrativa "vale a pena" preservar continua sendo tomada em uma sala de reunião, longe de qualquer jogador.

O mais curioso aqui é que a Insomniac repetiu exatamente o mesmo padrão de Spider-Man 2 sem parecer ter aprendido nada com a repercussão da vez passada. Isso sugere que, pra publisher, o barulho nas redes sociais pesa menos na balança do que o acesso a um mercado inteiro, o que é uma resposta meio decepcionante pra quem esperava algum tipo de posicionamento diferente dessa vez.

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#Marvel's Wolverine#Insomniac Games#Mystique#Sony#PS5#Censorship

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